terça-feira, 27 de julho de 2010

Em breve chegará no Brasil a autobiografia de Ozzy Osbourne

Ex-operário, ex-açougueiro, ex-presidiário e, enfim, estrela de rock. Essa é, em poucas e simples palavras, a vida que Ozzy Osbourne narra em sua recém-lançada autobiografia – na qual conta com franqueza suas aventuras de sexo, drogas, álcool e música, na carreira solo ou em diferentes fases do Black Sabbath. Eu Sou Ozzy chega ao Brasil nove meses depois do original em inglês, e calha com o lançamento do novo álbum solo do cantor inglês, Scream. Mas nem se pode comparar os dois títulos – o CD não disputa lugar entre os melhores discos de Ozzy, enquanto o livro é um belo relato sobre os 61 anos de vida de um grande personagem da história do rock. Para o grande público, ele sempre será lembrado como o maluco que mordeu a cabeça de uma pomba – em uma reunião de gravadora – e a de um morcego – em pleno palco. Ou como o pai de família desmiolado do reality show The Osbournes. Eu Sou Ozzy conta, com boa dose de humor, todos esses episódios, e inúmeros outros. É impossível não rir, por exemplo, dos causos do garoto Ozzy em seus empregos humildes em Aston, sua cidade natal, no centro-oeste britânico. Como desengraxador de peças automotivas, adorava ficar intoxicado em pleno emprego. Como afinador de buzinas noutra fábrica, quase ensurdeceu. Num frigorífico, sua maior diversão era matar vacas nos intervalos entre as bebedeiras no pub vizinho. Até que o adolescente começou a se arriscar em pequenos furtos, foi descoberto e foi parar na penitenciária, por três meses. Essas experiências todas, somadas à rigidez dos anos de escola – nos quais Ozzy penou muito devido à dislexia –, parecem explicar perfeitamente a agressividade musical do cantor quando começou o Black Sabbath, no final dos anos 1960. A partir do sucesso da banda na década seguinte, Ozzy lembra sem censura do consumo homérico de álcool e cocaína – a heroína, tão popular entre os roqueiros, não figura em sua lista de predileções químicas. Ao falar dos ex-companheiros de banda – o baixista Geezer Butler, o baterista Bill Ward e o guitarrista Tony Iommi, com quem se desentendeu e se reconciliou em várias ocasiões –, o cantor prefere a ironia à amargura. O tom da narrativa é quase sempre o de um palhaço, figura que ele muitas vezes usa para referir-se a si mesmo. Um toque espirituoso parecido com o de outra boa autobiografia do rock – Inside Out (2004), do baterista do Pink Floyd, Nick Mason, ainda inédita em português. Para organizar um texto com tantas histórias, Ozzy teve a ajuda do jornalista britânico Chris Ayres, correspondente do Times em Los Angeles. Foi escolha certeira: com a cobertura da Guerra do Iraque no currículo, Ayres soube dar o devido tratamento para as loucuras do Senhor Osbourne.

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